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coitadinhodocrocodilo



Terça-feira, 30.04.13

Vida de princesa

Nunca tinha assistido a uma cerimónia de coroação. Esta foi curta, objectiva, pontual e civil. Demorou menos tempo do que um discurso de Vítor Gaspar.

Devo ser das poucas raparigas que, muito embora tenha brincado com o tema, nunca quis ser princesa. Nunca foi sinónimo de beleza, esplendor e deslumbramento. As coroas eram substituídas por bonés, os vestidos por calções e os sapatos por ténis. Ser controlada por uma agenda e lapidada para uma função, que é unicamente decoradora, não foi sonho acalentado, nem em brincadeiras de crianças.

Quis o destino ou a sorte ou o acaso que eu acabasse por ser a princesa cá de casa. Ou melhor, a gata borralheira, porque os sapatos de cristal não costumam entrar nestes pezinhos de porco.

Se eu fosse princesa, borrifava-me para os sapatos de cristal, arregaçava as mangas e ia para a rua servir o meu povo. As posições privilegiadas só deveriam ter esta serventia e não para passar modelitos de malas, sapatos, vestidos e penteados.

Na Holanda, uma das expressões que caracterizam a próxima rainha é “Dom Bontje”, que equivale a “loura burra”, a tal que apareceu na festa de recepção ao Pai Natal vestida com pele de guaxinim.

Aguardo com expectativa a rebelião das princesas, das que não se contentam em ser bibelot e contribuem para o bem-estar da população que representam, das que acenam com fervor e sinceridade sem medo de abanar os antebraços.

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por coitadinhodocrocodilo às 11:36



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