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coitadinhodocrocodilo



Segunda-feira, 24.06.13

A madrinha dos traumas

Perder o emprego é considerado, por vários estudos, como um dos maiores traumas a que alguém pode estar sujeito, só superado pela morte de um ente querido. Se bem que é uma pancada das grandes – a qual paralisa muita gente durante muitos meses - acho, ainda assim, que existem traumas bem piores. O abuso sexual e a violência doméstica são bons exemplos. Ser portador de uma doença rara ou assistir à luta sem trégua contra uma doença, de alguém que gostamos muito, também me parece mais traumático. Tudo isto me parece muito pior do que o desemprego.

Mas perder o emprego pode levar rapidamente à falta de dinheiro, à fome, à desestruturação de uma família, ao abandono social, à criação de dependências, à depressão e, mesmo, ao suicídio. Mas... analisando bem, as outras situações também.

A diferença parece chamar-se “vergonha social”. Ainda perdura a vergonha de nos assumirmos  como um sem-abrigo profissional. A vergonha de alguém pensar que não eramos imprescindíveis. A vergonha de sermos inúteis à sociedade e um fardo para o país.

Continuamos a usar eufemismos como “estou à procura de um novo desafio” ou “estou numa fase de transição”. Não! NESTE MOMENTO, NÃO TENHO EMPREGO. Significa que algum dia terei. Também não sou inútil à sociedade. Ajudo pessoas todas as semanas, ajudo a minha família a ser unida e feliz, ajudo a educar dois futuros contribuintes e sou útil numa instituição qualquer, com a qual ainda não esbarrei. Sou um fardo hoje e uma ajuda amanhã. Vergonha? Vergonha é não fazermos o nosso melhor. Até no desemprego.

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por coitadinhodocrocodilo às 23:55



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