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coitadinhodocrocodilo



Segunda-feira, 29.07.13

Desempregadamente

Desconfiança dos mercados, cortes até 2014. Os jovens são (quase) obrigados a escolher um curso com alguma saída e renunciar à vocação e ao sonho. Os presos preferem renunciar à liberdade do que serem largados na selva do défice e da crise. O abandono e a exclusão social são uma realidade chocante, salários compatíveis com a exigência da vida são uma realidade virtual. Isto é o chamado “mundo ao contrário”.

Cada português vai ganhar menos 800 euros este ano. Para o ano, logo se vê. Para o ano, não sabemos sequer se ganhamos alguma coisa. É difícil imaginar. Tanta gente que me diz que o desemprego pode acontecer a qualquer pessoa. Talvez o digam só para me consolar e na realidade pensem que só acontece a quem se põe a jeito. É a arrogância do ego que tem vergonha de gritar. Mas ninguém se põe nos meus sapatos, porque nunca damos realmente valor ao sofrimento dos outros a não ser quando passamos por algo semelhante.

A desempregada. Podia ser a fanhosa, a maneta, a badocha, a emproada. Mas sou a desempregada. Gosto de pensar nesta palavra como um advérbio de modo: – Como estás? - Estou bem, desempregadamente bem.

- Olá, então o que é tens feito? - Tenho procurado desempregadamente trabalho. É isso! Não me sento no sofá o dia inteiro, se é isso que querem realmente saber quando perguntam o que tenho feito. Vou trabalhando desempregadamente em casa. Chega-vos?

Agora estou oficial e desempregadamente de férias, porque nada sucede em Julho e Agosto. Nem o governo cai, nem a Fanny posa nua, nem a Merkle morre, nem ninguém contrata ninguém e muito menos alguém quer ser contratado a meio de umas férias caturras. Temos que ser desempregadamente convenientes.

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por coitadinhodocrocodilo às 09:33



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