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coitadinhodocrocodilo



Sexta-feira, 30.11.12

A crise de objectivos

Durante anos estive sentada em secretárias com telefones, headsets e muitos números à frente. Sentia falta das letras, de textos em forma de desabafo. Com o passar dos anos, as palavras levaram mesmo sumido da minha vida, deixaram de bailar na mente, aguardando a sua transmissão para um documento Word ou um e-mail e apagaram-se. Restou a linguagem técnica, própria da profissão.

A escrita vinha apenas em situações de grande crise, uma espécie de Banco Alimentar Contra a Insanidade Mental. Foi assim em 2007, quando escrevia desenfreada ao som de Metallica para não ouvir o meu filho chorar e mandava mails aos colegas de trabalho para se divertirem. Eles riam-se e eu mantinha a lucidez.

Voltou a crise. Abracei-me às minhas palavras, como se não as visse há décadas, mimei-as e prometi-lhes amor eterno. A crise voltou mais forte, minou as ideias e os ideais, o dinheiro, o emprego, os valores e a abundância. Restam-nos duas coisas que não nos vão tirar: esperança e dignidade.

E não era de esperar? Pensamos sempre em deixar um mundo melhor para os nossos filhos, mas esquecemo-nos que a nossa obrigação é formá-los para melhorar o mundo.

Uma criança que não cresça rodeada de mimos, regras e respeito pelo próximo, dificilmente terá bom senso e serenidade. A sociedade dirige os seres para a única ambição de vencer e “ser alguém”, em vez de incutir objectivos simples como ser feliz e melhorar o mundo. Assim, dificilmente as criaturas crescem a respeitar o que é de todos.

Imaginem o que seria de Portugal se metade da nossa classe política tivesse tomado suplementos de mimo e respeito pelo próximo…

 

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por coitadinhodocrocodilo às 10:32



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