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coitadinhodocrocodilo



Quinta-feira, 21.03.13

Second hand

Agora com tempo para laurear a pevide, apercebo-me de mil e uma lojas, associações, instituições e serviços que não fazia ideia que existiam. Bancos alimentares e outros tipos de ajuda social com fartura. Ainda bem. Se um dia ficar mesmo sem nada, já sei onde me dirigir.

Esta semana fui à minha apresentação quinzenal do recluso. Ao lado, formava-se uma fila essencialmente de mulheres, com sacos recicláveis na mão. Caramba, estão a dar alguma coisa! Também quero! Feira social. Bate tudo e todas as feiras que possam conhecer. Tem um pouco de tudo, desde livros, artigos para wc, quinquilharias, brinquedos e roupa. Esta última é, sem dúvida, a que tem mais sucesso. Era vê-las a encher os sacos com roupa a 1, 2 euros. Parece pouco? Os saldos ali são a 20 cêntimos a peça. E não pensem que é roupa rota ou suja. É usada, mas em condições, com a dignidade lavada a 60 graus.

Felizmente, os portugueses já estão menos preconceituosos com a “segunda mão”, muito por “culpa” de OLX e afins. Ainda bem. Nos países do norte da Europa só compra novo quem não encontra usado e este é um mercado como outro qualquer, como os carros ou as casas. Ninguém diz: “Que nojo, um carro que foi usado por alguém!” ou “Que horror, esta casa deve cheirar mal, deve estar cheia de nódoas!” A minha está. Nódoas, riscos, marcas de pega-monstros, de bolas chutadas à parede, de mãos gordurosas de pão com manteiga. Enfim, um nojo. Ninguém vai querer comprar a minha casa! Lava-se. Lava-se a 60 graus e usa-se que a vida não está para esquisitices.

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por coitadinhodocrocodilo às 09:11


2 comentários

De raio-de-luar a 21.03.2013 às 11:49

Olá

Acho que ainda não tinha comentado, mas deixa-me que te diga que adoro ler-te. Talvez por que me identifico muito com o que escreves, com o humor e ironia com que escreves. Então aquela expressão do carimbo do judeu nas apresentações quinzenais ficou-me... sim, também sou uma desempregada, recente, mas calejada nestas andanças.
Mas sobre o tema do post. Eu nunca tive problemas com roupa ou calçado usado. Quando era criança vesti muita roupa que era de uma prima mais velha. E toda contente. Entretanto essa troca de roupa deixou de acontecer, também não havia lojas de roupa em 2ª mão (era vergonha, né), mas sempre que aparecia alguém a perguntar se eu queria isto ou aquilo porque não lhes servia ou já não gostavam, ai nunca me fiz de rogada. Assim como eu volta e meia dou uma revisão no roupeiro e despacho roupa. Como sou uma baixota, a roupa até vai para filhas ou irmãs adolescentes de amigas minhas. E quanto a calçado, olha ontem lancei a pergunta no blog sobre quem estaria interessado em 4 pares novos que quero dar, e já apareceu interessada, melhor ainda, com troca :)
Há uma coisa que me está a fascinar na crise. As pessoas deixaram estes tabus de caca de lado. É a moda da marmita (e eu sempre fui marmiteira), é a moda de trocar roupa com amigas, e quem diz roupa diz outras coisas... é o não ter pudor em comprar em 2ª mão seja o que for.
Desculpa o testamento. Entusiasmei-me.
Bjinhos

De coitadinhodocrocodilo a 23.03.2013 às 07:31

Eu também fui sempre marmiteira, sem vergonhas. No início, os chefes odiavam a coisa, mas quando saí já os apanhávamos na copa a comer de marmita. É assim, as coisas mudam. Se calhar nós vivíamos "entroikados" e de certa maneira não custou tanto a adaptação a esta nova realidade.
Os meus filhos também sempre vestiram roupa usada por mais uma ou duas crianças, sem vergonhas. Pena tenho eu de não ter amigas com filhos para partilhar mais coisas.
Escreve sempre que te apetecer, vinte, cinquenta, cem caracteres. És muito Benvinda!

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