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coitadinhodocrocodilo



Terça-feira, 26.03.13

Pronto, sou um coala!

 

Também eu ando numa fase em que parece que só me consigo entender com desempregados ou pessoas que já passaram pelo mesmo drama. O drama, o horror. Até já arranjei “amigos” virtuais que se identificam com o que escrevo. Porquê? Porque vivem na dúvida, na incerteza, na míngua de um trabalho milagrosamente melhor pago do que o ordenado mínimo. Porque se insurgem contra a hipocrisia do mundo profissional, com a maquilhagem do mercado de trabalho, onde o marketing do cv é rei. O pacote é bem mais atractivo do que o conteúdo. O pacote tem que ser bem vendido senão ninguém o compra, mesmo que seja bom. Viva o cv criativo. Já pensei em fazer uma BD do meu cv, mas achei que seria enfadonha tendo em conta que trabalhava num banco… 

Para um certo tipo de pessoas, isto não é normal e, sobretudo, muito difícil de aceitar. Somos assim: gente estúpida, com mão e pé na consciência. Não vamos a lado nenhum. Nunca fomos. Se calhar por isso mesmo é que chegámos aqui. 

Já cheguei ao ponto de confessar, alto e bom som, que não estou a trabalhar porque não quero. Soei como um coala a espreguiçar-se num tronco. É, provavelmente assim que muita gente me vê. Faço o que sempre fiz. O que sempre me levou à ruína: borrifo-me para eles todos. 

Quero ter o privilégio de escolher minimamente o que quero fazer. Caramba, se tive uma trégua em 14 anos, então mal seria se não parasse para pensar no rumo que quero dar à vidinha. Há 15 anos, fui trabalhar para a Banca porque o jornalismo que fazia não era pago. Eram estágios atrás de estágios, atrás de estágios. Maravilhosas experiências que eu pagava para ter: Expo98 com press card ao pescoço, assistir de camarote aos treinos do Sporting, entrar em directo na rádio a cobrir uma manifestação de camionistas, ir em reportagem o dia inteiro. Quando achei que a escravatura tinha acabado, enfiei-me num bunker, para só voltar a ver a luz do dia em 2012. São decisões que se tomam que mudam a nossa vida. 

Eu, que até acho que me expresso razoavelmente bem, não consigo fazer chegar o meu pensamento a muita boa gente. Só a quem já percorreu este trilho, com altos e baixos. Mais baixos do que altos, fazendo-nos sentir quase bipolares: uns dias em pasmo total e deleite pela vida, outros em depressão de arrancar cabelos.

Mexemos muitos mais músculos da cara quando nos chateamos do que quando sorrimos. Portanto, smile!

 

 

 


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por coitadinhodocrocodilo às 15:26


1 comentário

De Carlos a 26.03.2013 às 15:47

Havendo a possibilidade de ir parar ao desemprego em Julho (bate na madeira), ainda te ensino a surfar e, aí sim, tens um bom pretexto para nunca mais voltar a trabalhar ;)

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